“Já vou para uma cadeia que nunca mais de lá saio.”
A frase é do Sr. Manuel Jorge, de 88 anos, natural de Gaia de Belmonte, no distrito de Castelo Branco.
Neste terceiro excerto da nossa conversa, regressamos às memórias do contrabando na raia entre Portugal e Espanha. O Sr. Manuel Jorge recorda as noites em que atravessava a fronteira com café e regressava com diferentes mercadorias, até ao dia em que, pouco depois do 25 de Abril, aceitou transportar um caixote sem saber o que levava dentro.
Ao atravessar o rio Sever, foi surpreendido pelas autoridades espanholas. Os companheiros conseguiram fugir, mas o Sr. Manuel Jorge foi apanhado com o caixote às costas. Quando ouviu as autoridades dizerem que aquele caixote continha material de guerra, pensou que acabaria na prisão e que a vida que tinha conseguido construir poderia mudar naquele instante.
Foi um enorme privilégio conhecer o Sr. Manuel Jorge e preservar um pouco da sua história.
Um agradecimento especial à Casa do Povo de Santo António das Areias por ter tornado esta conversa possível e, em especial, à Marta Mendes, pela disponibilidade, carinho e ajuda na concretização deste encontro.
📍 Santo António das Areias, Marvão, Portugal