“Eu tive que andar dois meses para ganhar os 100 escudos.”
A frase é do Sr. Manuel Jorge, de 88 anos, natural de Gaia de Belmonte, no distrito de Castelo Branco.
Neste quinto excerto da nossa conversa, regressa aos primeiros anos de trabalho e a uma infância em que chegou a andar descalço. Recorda o dia em que a mãe pediu a um sapateiro que lhe fizesse umas botas e os dois meses de trabalho de que precisou para conseguir pagar os 100 escudos que custavam. Quando finalmente as calçou, os pés, habituados a andar descalços, mal as conseguiam suportar.
Fala também dos primeiros trabalhos com o gado e na lavoura, quando a força ainda era pouca para algumas das tarefas que já lhe eram confiadas. E recorda que, apesar da dureza da vida no campo, também havia espaço para a alegria: trabalhava-se, cantava-se, assobiava-se e, ao final do dia, partilhavam-se histórias e anedotas.
Foi um enorme privilégio conhecer o Sr. Manuel Jorge e preservar um pouco da sua história.
Um agradecimento especial à Casa do Povo de Santo António das Areias por ter tornado esta conversa possível e, em especial, à Marta Mendes, pela disponibilidade, carinho e ajuda na concretização deste encontro.
📍 Santo António das Areias, Marvão, Portugal