“Estou-me quase a emocionar...”
A frase é do Sr. Manuel Jorge, de 88 anos, natural de Gaia de Belmonte, no distrito de Castelo Branco.
Neste segundo excerto da nossa conversa, recorda os anos em que trabalhava de dia no campo e, durante a noite, atravessava a fronteira com cargas de café para Espanha, numa época em que o contrabando fazia parte da realidade de muitas populações da raia. Conta também como o esforço e o cuidado que dedicava às terras lhe foram abrindo novas oportunidades, até ao momento em que um senhorio lhe confiou o gado e os terrenos, ficando cada um com metade do que produzissem.
Mas recorda também aquilo de que foi abdicando ao longo da vida. As festas, os passeios e as viagens foram ficando para depois, porque havia sempre animais e trabalho à sua espera. E quando finalmente já podia ir, sentiu que era tarde demais.
Foi um enorme privilégio conhecer o Sr. Manuel Jorge e preservar um pouco da sua história.
Um agradecimento especial à Casa do Povo de Santo António das Areias por ter tornado esta conversa possível e, em especial, à Marta Mendes, pela disponibilidade, carinho e ajuda na concretização deste encontro.
📍 Santo António das Areias, Marvão, Portugal